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sábado, 23 de julho de 2016

Observando a lâmina de 2 de Ouros do tarot Waite


Um homem parece estar fazendo uma espécie de malabarismo com os dois pentáculos. Um de seus pés está firme no chão, o outro está no ar. O mar atrás de si tem ondas grandes, o que sugere altos e baixos bastante significativo. O movimento de manipulação dos pentáculos forma uma lemniscata, o símbolo do infinito. A tonalidade de laranja da roupa do homem sugere extremos, parte da roupa é de laranja vivo, parte é de laranja claro, dando certa harmonia visual. O chapéu do homem é pontudo, sugerindo um símbolo fálico. Os sapatos, assim como a linha formada pela lemniscata, são verdes, cor geralmente atribuída às cartas da terra.

Antes de começar a análise, sugiro a leitura do artigo sobre o número 2.

Essa carta me dá a ideia de movimento cíclico, de uma tentativa de convívio com os opostos. Aquilo que era potencial no Ás de Ouros passa a querer se manifestar, mas é preciso deixar o uno. Porém, no 2 de Ouros, tenta-se tirar proveito da polaridade e do movimento que ela causa. Como exemplo prático temos a conhecida dificuldade de sair da cama quente no inverno, de manhã; sabemos que precisamos sair mais cedo ou mais tarde, de preferência mais tarde, mas não queremos deixar o conforto do colchão e das cobertas, então procrastinamos o máximo possível a saída da zona de conforto. E creio que essa seja a essência do 2 de Ouros; tentar conciliar o inconciliável, ou, para deixar mais claro: “enrolar” ou “empurrar com a barriga”. E isso pode parecer algo ruim a princípio, mas muitas vezes na vida é preciso ter certo “jogo de cintura” ou “dançar conforme a música.” Repare que a figura da carta parece estar dançando.

Uma vez tirei a leitura para um amigo, e ele me relatou uma situação um tanto “complicada”: Ele era casado a mais de 10 anos, com uma moça (Luíza), porém não a amava. Casara por um impulso, e também por conveniência, pois amava outra mulher (Cecília), e descobrira isso antes mesmo de casar, mas, para não arranhar sua imagem com seu grupo social (família, amigos, colegas de trabalho), e porque a sua noiva era bem vista socialmente, decidiu levar em frente o casamento. Pensara em manter Cecília como amante, mas ele não achava justo, e nem ela aceitou isso. Então nunca mais se falaram. Passados todos esse anos, meu amigo reencontrou a amada Cecília, e queria, pelo menos, manter uma amizade com ela, pois sentia muito sua falta, mas não queria abrir mão do casamento. Na leitura, o 2 de Ouros apareceu, e eu interpretei como essa vontade do meu amigo de tentar conciliar o inconciliável. Ele queria se reaproximar da amada, mas de uma forma que sabia ser restrita para ele, afinal ele tinha desejo por Cecília, e ao mesmo tempo queria manter seu casamento. Ele até poderia sustentar essa situação por algum tempo, como um malabarista, mas ele possivelmente não aguentaria eternamente. Talvez seu desejo por Cecília acabasse explodindo em algum momento, quebrando o frágil equilíbrio dessa situação que ele planejava. 

Essa lâmina também saiu como símbolo de um partido, numa leitura sobre política. Eu interpretei como uma manipulação, como se tal partido estivesse tentando conquistar apoio com recursos que ele não detinha, mantendo uma base insustentável até conseguir a vitória nas urnas. E, da mesma forma, essa carta mostra o malabarismo que muitos fazem para pagar as contas; é muito comum pessoas atrasarem uma conta para pagarem outra, e no mês seguinte invertem, tudo para manter um padrão de vida que os ganhos não sustentam, seja por falta de oportunidade de maiores ganhos ou excesso de gastos.

O símbolo da Lemniscata, presente também em outras cartas, como a do Mago e da Força deste baralho mostram um lado mais profundo dessa lâmina, indicando que não se pode fugir do movimento do universo, por mais que se tente. O símbolo do infinito parece mostrar que existe sempre uma dança constante do universo, de avanço e recuo, criação e destruição. É a constante inconstância. É a dualidade da vida, o Yin e Yang. Ou, como sempre dizem por aí; a vida tem seus altos e baixos.

O chapéu em formato fálico e o contraste de cores sugerem uma impulsividade sendo contida pela calma, ou a serenidade e a letargia que seguem ao êxtase da atividade sexual, mostrando mais uma vez o ciclo do movimento universal. 

PS: As histórias aqui contadas são reais, porém nomes e contextos estão embaralhados para garantir a anonimidade de meus consulentes.

PS 2: Quero deixar claro que esta é a minha opinião e não representa que o 2 de Ouros, do Waite tarot, seja exatamente isso que eu escrevi. Essas foram apenas as minhas percepções sobre a carta, obtidas através da minha experiência com ela. Cada tarólogo tem suas próprias impressões sobre as cartas, e, na minha opinião, observar outros pontos de vista ampliam nosso horizonte de percepção.

Boas leituras a todos.



segunda-feira, 11 de julho de 2016

Observando a lâmina de Ás de Ouros do tarot Waite


Na gravura da carta temos uma mão sendo estendida, segurando um pentáculo. Ao fundo temos um belo e ornado jardim, com flores, um céu azul e montanhas ao fundo.





O Pentáculo


Mas, afinal o que é um pentáculo? Basicamente é um amuleto, um objeto de propriedades mágicas, que detém uma simbologia bastante variada em muitas culturas. 

Dizem que as cinco pontas do pentagrama representam o corpo humano, (a cabeça, os braços e as pernas), outros que representa a união dos 4 elementos, e que sua união produz um novo elemento,a quinta essência, e também dizem que simboliza o elemento terra. Essas representações estão mais ligadas ao tarot, como os tarólogos bem sabem. Ouros ou Pentáculo é o elemento terra nos baralhos.

O potencial de materialização


O pentáculo, para mim, representa a materialização de uma energia, o concreto, seja ela o corpo humano, o sexo, um conhecimento, uma relação etc. É tudo aquilo que se deixou de ser pensamento (Espadas) e/ou sentimentos (Copas) e foi realizado através da energia criadora da ação, deixando também de ser desejo (Paus).

O Ás de Ouros, em particular, sempre me deu a ideia do potencial de concretização, mas não a concretização em si. Creio que, como todos os ases, ele mostre um potencial, uma oportunidade que surge para, neste caso, ocorra a materialização. E, quando eu vejo o jardim florido da imagem, penso também em potencial. As flores são o potencial dos frutos, é a oportunidade que a planta tem de se reproduzir, podendo fazê-lo ou não, dependendo das características de seu ambiente. A mão que oferece a grande moeda mostra que uma oportunidade surgiu, está ao alcance, mas cabe a pessoa aceitá-la ou não.

Eu costumava ver essa carta sair para consulentes que não viam certas oportunidades que surgiam em suas vidas. Seja de negócios, de viagens, ou mesmo de encontros sexuais. Talvez eles não vissem porque ela não fosse tão aparente, ou porque estavam focados em outras coisas. Mas ela estava lá, e não durava muito. Eu quase nunca vi essa carta como certeza de concretização de algo, mas, como já disse, de potencial.

Eu gosto de imaginar essa lâmina como se uma nota de 50 reais estivesse caída no chão, sem dono, na sua frente. Você a vê, mas ela não virá ao seu bolso por mágica, cabe a você se abaixar e pegá-la. Observe que no jardim da imagem, na carta, tem um caminho. Ele não é trilhado sozinho, é preciso se movimentar para chegar ao portal florido e descobrir o que existe atrás dele.

Quero deixar claro que esta é a minha opinião e não representa que o Ás de Ouros, do Waite tarot, seja exatamente isso que eu escrevi. Essas foram apenas as minhas percepções sobre a carta, obtidas através da minha experiência com ela. Cada tarólogo tem suas próprias impressões sobre as cartas, e, na minha opinião, observar outros pontos de vista ampliam nosso horizonte de percepção. 

Boas leituras a todos.













domingo, 10 de julho de 2016

Observando a lâmina de 6 de Ouros do tarot Waite

Temos 3 pessoas na imagem. Um homem de pé, vestindo roupas aparentemente refinadas, com muito vermelho nelas, cor do poder. Ele segura uma balança. Sua atenção está voltada ao homem que está ajoelhado à sua direita. A este ele entrega uma porção de moedas, enquanto que parece ignorar o homem à sua esquerda, de azul. Ambos os homens ajoelhados parecem pedir por auxílio, mas só a um é dado.



Generosidade 

"Peçam, e será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta será aberta.” Mateus, capítulo 7, versículo 7. Como já disse, não sou ligado a religiões, mas bebo daquilo que é valioso em todas elas. E com este verso da bíblia vejo além da generosidade entre pessoas, eu vejo a sincronicidade do universo em ação. Eu já tive na família, em conhecidos e recentemente comigo muitos exemplos de como acabamos recebendo por aquilo que precisamos, e não necessariamente o que queremos. Alguns dizem ser Deus, outros Lakshmi, a deusa hindu da riqueza, não importa; é o fenômeno que interessa. E não é somente com valores materiais que isso ocorre, comigo já aconteceu de, quando eu precisa de uma resposta para uma dúvida, não demorava muito eu ouvia uma música ao longe, tocando na casa de alguém, e quando buscava pela letra, via tudo o que eu precisava no momento. Ou, passando pela sala, com a televisão ligada, uma personagem de uma novela dizia uma frase que parecia ser feita para mim, naquele momento específico. A gratidão por estes momentos é enorme. E quanto mais se quer entender ou controlar isso, mais se afasta desse fenômeno. Por isso não creio que generosidade seja o termo mais apropriado para esse fato, mas sincronicidade, pois parece que toda a vida se rearranja para colocar as coisas em ordem, e o que vem para mim e para você que lê, é o resultado de um estado de atenção e liberdade de coração. Se estivermos sempre atentos, vamos ver mais e mais dessas “contribuições cósmicas”, muitas delas pequenas, mas importantíssimas. A ajuda vem para quem está aberto a recebê-la, assim creio, e essa carta mostra muito isso, para mim.

Nem sempre ajudar, ajuda. 

Esta carta, a princípio, me dá a impressão de dádiva, de sorte, e também de generosidade. Mas eu consigo ver muito mais nela. Aquele que é generoso parece ter algum tipo de critério para avaliar quem deve ou não receber sua dádiva, e creio ser esta a simbologia da balança, e isto vai contra o ensinamento amplamente divulgado de que se deve ser generoso, não importa a quem. Mas será que isso seria “errado”? A algum tempo eu me peguei num dilema sobre ajudar uma pessoa, aliás, não só uma, várias, mas vou me focar em uma pessoa que eu considero um amigo, vamos chamá-lo de Antônio.

Antônio tem algumas características “estranhas”, ele é um adulto que não cresceu, ou melhor, uma criança num corpo de adulto. Apesar de ter quase 30 anos, e ter uma vida aparentemente bem sucedida, ele não se desenvolveu psicologicamente, tendo muitos problemas por conta disso. Eu tentei ajudá-lo de muitas maneiras, entretanto eu não o via se ajudando. Algo está errado quando a pessoa que ajuda se esforça mais do que quem é ajudado. A pessoa se faz de vítima, mas não move um centímetro, tal como eu mostrei na carta do 5 de Ouros. Neste contexto, eu acredito que o critério é muito importante para ajudar alguém. Muitos querem, mas poucos fazem acontecer, por isso a balança é importante.

Política 

Mas, existe também um outro lado, a da ajuda ser um exercício de poder. O homem de vermelho poderia estar comprando o outro, dizendo, a princípio, que seria um ato de generosidade, mas passado algum tempo, lá estaria o homem de vermelho cobrando seus favores do passado. Ou então a ajuda seria direcionada para mostrar às outras pessoas como ele é generoso, como é uma boa pessoa. Uma ótima propaganda, principalmente para políticos. Quem já não viu um “bondoso” prefeito propagandeando uma via recém inaugurada, alguns meses antes das eleições municipais?

Quando esta carta sai na leitura, é importante identificar quem é o consulente dentre as 3 figuras. Pode ser que seja o rapaz de azul, ignorado pelo homem de vermelho. Eu já me vi na posição do de azul algumas vezes na vida profissional, pois, por mais que eu trabalhasse duro outras pessoas caiam nas graças da chefia, seja por puxa-saquismo, seja por beleza física, seja por que torce para o mesmo time do patrão, etc etc. Razões não faltam para o favoritismo. Mas, percebi que, eu também queria o favoritismo, só agia de outra forma. Então, se a carta sair com esse viés, é bom nos perguntarmos se não estamos querendo as bençãos de alguém, e porque queremos. Será que realmente precisamos da aprovação das outras pessoas para tudo? É um convite á reflexão.

Cumplicidade 

Um dos significados menos usuais que eu já vi nessa carta, era sobre concessões íntimas. Duas amigas mantinham um tipo de “amizade colorida”, ou seja, uma deles concedia certos avanços, com limitações, à intimidade sensual. Parecia ser uma relação bastante sólida, mas elas tinham certo receio de irem às vias de fato, ficando meio que nas margens do ato sexual. Como isso não parecia ser problema para nenhuma das duas, assim se manteve. Eu enxerguei como uma amizade com “benefícios” limitados, e a pessoa depois me confirmou que era isso mesmo, apesar de casada, a consulente tinha um forte vínculo com uma amiga de muitos anos, mas estava sentindo-se culpada por essas pequenas trocas de favores sexuais com ela. Eu enxerguei aquele ato como se fosse um componente da amizade, pois as cartas não apresentavam luxuria, e sim cumplicidade, o 6 de Ouros aparecia junto do Sol, uma carta de fraternidade, amizade, amor puro.

Esta carta de 6 de Ouros é rica em simbolismos e interpretações, nunca se esgotando.

Quero deixar claro que esta é a minha opinião e não representa que o 6 de Ouros, do Waite tarot, seja exatamente isso que eu escrevi. Essas foram apenas as minhas percepções sobre a carta, obtidas através da minha experiência com ela. Cada tarólogo tem suas próprias impressões sobre as cartas, e, na minha opinião, observar outros pontos de vista ampliam nosso horizonte de percepção.

Boas leituras a todos.




sábado, 9 de julho de 2016

Observando a lâmina de 4 de Copas do Waite tarot

Um homem de braços e pernas cruzados, sentado próximo a uma árvore, olha diretamente para 3 taças à sua frente, ignorando ou se recusando a ver a 4ª taça sendo oferecida por uma mão misteriosa. O chão parece ser gramado e o céu é claro, com tom azulado. A árvore tem um buraco, possivelmente o lar de algum pequeno animal.

Ócio
A primeira impressão que esta carta me dá é de recusa ao que quer que estejam lhe oferecendo. Geralmente indicando cautela ou teimosia, dependendo do viés da carta. Porém, eu tenho uma percepção diferente dela que gostaria de compartilhar. O número 4 dentro do mundo dos sentimentos é algo que não é muito valorizado no nosso mundo contemporâneo. As pessoas buscam por alegria a todo instante, e não por acaso estão sempre buscando a sua intensidade, seja no sexo, nas drogas, nas festas, nas paixões etc. Estão sempre buscando o entretenimento, jamais se permitindo ao ócio. Mas o ócio real, e não aquele seguido de distrações. O sentar consigo mesmo em essência.
As 3 copas representariam o entretenimento, a agitação emocional, a euforia, o prazer rápido. E, neste contexto o 4 de Copas é a estabilização das emoções, é o lago calmo, a tranquilidade e abundância de sentimentos. Diferente do 3, que é algo mais fugaz, apesar de intenso, o 4 é pleno e perene.
Insatisfação
Muitas pessoas rompem seus relacionamentos porque dizem que "esfriou", ou seja, a intensidade do 3 se foi, o que é natural pela sua própria natureza. O relacionamento entra então na fase da estabilização, na tranquilidade, e as pessoas não querem isso, não estão acostumadas a se acalmarem, da mesma forma que muitas tem dificuldades na meditação. Por isso relacionamentos se rompem para que as pessoas busquem novamente a intensidade do 3 de Copas, e assim vão vagando pela vida, atrás da alegria eterna que não existe. Vivem como viciadas atrás de euforia, evitando a todo custo o contato com a própria essência.
O 4 de Copas mostra o receio de sentar consigo mesmo, e isso se reflete no medo de relacionamentos mais profundos. As pessoas que só buscam o 3 de Copas ficam orbitando ao redor dos casos, das paixonites, jamais indo mais a frente, por que isso poderia revelar mais sobre elas, e descobrirem coisas que não querem saber.
Não é a toa que temos uma árvore nesta carta. A árvore é um grande símbolo de estabilidade e resistência na natureza. Simboliza a profundidade das raízes e a longevidade. A árvore não pode sair correndo atrás de um par, de uma aventura sexual, de um sushi na sexta-feira a noite com os amigos, ou uma "baladinha" no sábado. Ela está consigo, e automaticamente, está com o todo. Não estou criticando quem vai à balada ou ao sushi, apenas mostrando que muitas vezes esses divertimentos podem ser respostas automáticas ao tédio, e um evitar de entrar em contato com o ser que se é. O buraco na árvore da a ideia de lar, do porto seguro emocional, que muitos querem, mas poucos tem coragem de buscar.
Ao final da festa, após o sexo ou no dia seguinte quando bate a ressaca, muitos se assemelham ao rapaz da carta, estão entediados, cansados, com o corpo, a mente e o coração maltratados. Alguns esperam se recuperar para continuar o ciclo da "alegria eterna", outros continuam sem nem mesmo esperar pela recuperação, o medo do tédio é maior do que qualquer coisa. O medo de olhar a si mesmo é terrível.
Recusa
O 4 de Copas, assim o 4 de Ouros, pode indicar timidez. Medo de aceitar algo que pode ir contra algum conceito estabelecido da pessoa, ou mesmo insegurança, não se considerando preparada ou apta a receber algo, mesmo que ela queira. Neste contexto também não se descarta o ressentimento, onde a pessoa não vê ou se recusa a aceitar qualquer coisa nova por estar machucada ou até fazendo "birra".
Cautela
Já dizia aquela frase: "quando a esmola é demais, o santo desconfia." Neste contexto, a carta pode indicar uma pessoa cautelosa ou um pedido de cautela, para que o consulente não tome ações precipitadas e pense mais a respeito do que lhe é oferecido.
Quero deixar claro que esta é a minha opinião e não representa que o 4 de Copas, do Waite tarot, seja exatamente isso que eu escrevi. Essas foram apenas as minhas percepções sobre a carta, obtidas através da minha experiência com ela. Cada tarólogo tem suas próprias impressões sobre as cartas, e, na minha opinião, observar outros pontos de vista ampliam nosso horizonte de percepção.

Boas leituras a todos.

domingo, 3 de julho de 2016

Observando a lâmina de 5 de Ouros do Waite tarot

Na gravura da lâmina temos duas pessoas, que parecem ser um homem e uma mulher, caminhando sobre a neve, com trajes gastos. O homem está de muletas, sugerindo doença, a mulher cobre sua cabeça. Ao lado deles está um vitral com 5 pentáculos. Vitrais costumam representar riqueza material, por serem um trabalho artístico refinado. A parede no qual está o vitral parece ser grossa e bastante sólida, sugerindo abrigo e conforto, típicos do 4 de Ouros. O homem de muletas observa o vitral.

Parece-me que todos os 5 do tarot indicam uma ruptura do 4, o que está de acordo com o simbolismo numérico. Aí também podemos incluir a carta do Hierofante, aquele que transcende o mundo material, mas falarei dele em artigo específico. Aqui temos o rompimento com a riqueza do 4 de Ouros. Apesar de que o rompimento com a segurança material do 4 de Ouros não necessariamente significa pobreza e miséria, Arthur Edward Waite e a artista plástica Pamela Colman Smith procuraram representar o 5 de Ouros dessa forma. E assim fizeram os seus sucessores em novos baralhos.

O Simbolismo clássico dessa carta é bem conhecido, que é o da perda material, de doença, desamparo e impotência. Mas, como geralmente faço, vou explorar os outros símbolos que esta lâmina trouxe em minhas experiências com as leituras.

Vulnerabilidade
Este significado de vulnerabilidade não tem a ver com o material propriamente, mas com um tipo mais profundo. Uma consulente me procurou perguntando o motivo de seu noivo ter desfeito o noivado de uma hora para outra. Isso gerou uma situação bastante difícil, pois já haviam até financiado um apartamento juntos. Não vou entrar nos detalhes da situação, mas foi bem complicada. O rapaz sumiu por duas semanas e depois rompeu com ela. Acertaram as questões financeiras e tudo se acabou. Então ela quis entender a situação, pois ele não falara nada, não houve traição nem nada. O máximo que ele disse a ela foi que ele estava perdido e não poderia levar adiante algo para o qual não estava preparado. A ex-noiva logo desconfiou de outra pessoa. Entretanto, na leitura, mostrava o amor entre ambos, mas ele estava com medo, muito medo. O 5 de Ouros apareceu na posição do ex-noivo, ele sentia-se vulnerável pelo que sentia por ela. Ele sempre fora uma pessoa bastante controlada, temia sentimentalismos, mas, pelo que eu pude ver na leitura, ele se percebeu tendo sentimentos avassaladores por ela. Sentimentos que não podia controlar. Dizem que o amor nos torna vulneráveis, e esta é uma prova. Ele não aguentou estar impotente, sentir emoções fortes. Era algo maior do que ele, e não estava preparado para isso. Perguntei de quem fora a iniciativa do noivado, e a consulente disse que fora dela. Parece que o rapaz foi se deixando levar até o ponto em que não aguentou mais a "insegurança sentimental". A consulente me informou que depois de alguns meses ele estava se relacionando com outra pessoa, segundo testemunhas lhe contaram. Investiguei e era real, e não era só uma, mas muitas. Porém, ele estava seguro, pois não tinha sentimentos por essas pessoas, eram relacionamentos convenientes, superficiais. Ele estava confortável. Pelo que pude entender dessas leituras, o 5 de Ouros seria a vulnerabilidade, a exposição nua e crua a um sentimento real, profundo,  como é o amor, e pela minha experiência, não são muitas pessoas que tem coragem para isso.
Notem a neve na imagem da carta, ela pode mostrar o congelamento dos sentimentos, a tentativa de controlá-los, de deixá-los "leves". Também mostra um tipo de fuga.

Simplicidade voluntária
Este foi um dos simbolismos menos comuns e positivos que encontrei para essa carta. Em estudos mais aprofundados, entendi essa carta como um rompimento do 4 de Ouros, mas que isso não significava pobreza ou doença, mas simplicidade. Infelizmente a imagem da carta não condiz com essa ideia, mas o simbolismo do número 5 e do naipe de Ouros podem sim indicar essa possibilidade. O 4 de Ouros é a riqueza, a segurança material, mas também a opulência, e o 5 pode representar o desejo voluntário de viver de forma mais simples, porém não na miséria, sem preocupações materiais exageradas. Ou pode até mesmo indicar a miséria voluntária religiosa, como na ordem dos franciscanos, da Igreja Católica, ou os monges budistas. Seria então esta carta o símbolo do desapego material, neste contexto.

Falta de Ímpeto
Na via negativa, esta carta já se mostrou como falta de empenho de pessoas em conquistarem aquilo que queriam, como se estivessem acostumadas ao desconforto físico e/ou psicológico, e não tivessem força de vontade para sair desse contexto. Isso é comum, por exemplo, em pessoas que tem algum tipo de dependência, geralmente a química. Elas se degradam cada vez mais, e exclamam que estão no controle, que param quando querem. Muitas arrastam essa dependência por anos, décadas até encontrarem o fundo do poço. Isso quando não pulam de dependência em dependência, alongando para toda a vida sua decrepitude psíquica e/ou física.

"Coitadismo"
Seguindo a linha do item anterior, muitas pessoas sofrem de autocomiseração, se dizendo incapazes e assim permanecendo, esperando que alguém faça algo por elas. Aqui temos o famoso "coitadismo". Geralmente esse tipo de simbolismo aparece em pessoas que creem que os outros são obrigados a cuidarem delas, revelando um infantilismo.

Inveja
Esta é uma observação que ainda não percebi nas leituras, mas é uma ideia que tenho ao observar o homem de muletas olhar o rico vitral. Não estaria ele invejoso, ao comparar a riqueza alheia com a sua debilidade material?

Quero deixar claro também que esta é a minha opinião e não representa que o 5 de Ouros, do Waite tarot, seja exatamente isso que eu escrevi. Essas foram apenas as minhas percepções sobre a carta, obtidas através da minha experiência com ela. Cada tarólogo tem suas próprias impressões sobre as cartas, e, na minha opinião, observar outros pontos de vista ampliam nosso horizonte de percepção.

Boas leituras a todos.



terça-feira, 28 de junho de 2016

Observando a lâmina de 4 de Ouros do Waite tarot

Na minha percepção essa carta mostra, a princípio, riqueza, opulência, abundância material. Temos o homem ricamente trajado, a cidade, ao fundo, plenamente desenvolvida, com suas altas torres, além das moedas que o sujeito guarda consigo. As cores vermelha e púrpura de seu traje simbolizam também riqueza e poder. Confesso que durante um bom tempo eu tive certo preconceito com essa carta, olhando-a sempre pelo lado da ganância ou avareza, mas este é um dos seus viés negativos, ela tem outros bastante positivos, pelo menos pelo que vi nas leituras até agora. 

Segredo
Ela já me apareceu como avareza, tanto material quanto emocional, muitas vezes, entretanto ela mostrou também valorização, cuidado, e também segredo. Uma vez tive um sonho intenso com uma pessoa que conhecia, e via que ela se mostrava diferente do que eu a conhecia, como se ela tivesse outra faceta que não costumava mostrar. Fiquei intrigado com o sonho, e resolvi pedir auxílio do tarot para entender o sonho. Então esta carta apareceu, e demorei um bom tempo para entender o que ela mostrava. Só depois de outras leituras paralelas é que entendi que, no sonho, eu acabei vendo uma faceta que a pessoa não mostrava para ninguém, um segredo que ela guardava. E para mim fez todo sentido a carta de 4 de Ouros, pois observem que o homem segura a moeda contra si, a segura com todo seu corpo, não deixa que escape, e um dos significados dos pentáculos também é informação, conhecimento. Vocês podem dizer que segredos tem a ver com a Sacerdotisa, a Lua, e o 7 de Espadas, e tem mesmo, e essas cartas foram a explicação desse 4 de Ouros nas leituras paralelas.
Valorização
Outra faceta interessante desta carta é o cuidado, o carinho, o bem querer. Também foi difícil ultrapassar meu preconceito para entender esse lado do arcano. Eu vi, em algumas leituras para alguns casais, que uma parte era mais carinhosa que a outra e esta carta apareceu. Demorei a entender que se tratava do carinho e do cuidado que uma das pessoas do casal tinha pela outra, e depois de conversar melhor com uma das partes, esta me revelou que seu companheiro era de fato bastante carinhoso, ao ponto de ser até chato, segundo relato.
Timidez
A leitura que mostrou um lado inusitado dessa carta, foi quando eu li para uma mocinha, que estava devastada porque o rapaz de quem gostava fugiu dela assim que se declarou para ele. Ele a evitava a todo custo. A leitura tinha como carta central o 4 de Ouros invertido. Depois de algumas verificações, pude dizer à moça que o rapaz era bastante tímido e tinha medo de se expor, tinha medo dos próprios sentimentos que tinha pela mocinha, e tal como a figura da carta, se agarrou à sua segurança. Ele gostava tanto da moça que isso o perturbava, preferindo a segurança de não estar com ela, evitando assim que esses sentimentos fortes aflorassem.
Hedonismo
A um bom tempo também escrevi sobre o 4 de Ouros ter a ver com a apego ás sensações do corpo, ao prazer físico, no hedonismo  

Riqueza
Este, para mim, é um dos símbolos mais fortes da carta, a riqueza material e/ou a plena saúde do corpo. Mas é uma riqueza que pode escravizar a pessoa se ela não for consciente. E aí tende-se ao hedonismo ou avareza.

Formatação
Esta lâmina, em posição desfavorável,  pode indicar pessoa formatada, "quadrada", preconceituosa, que não se permite ver/pensar além daquilo que conhece. Pessoa que é agarrada a conceitos, teimosia.


Quero deixar claro também que esta é a minha opinião e não representa que o 4 de Ouros, do Waite tarot, seja isso que eu escrevi. Essas foram apenas as minhas percepções sobre a carta, obtidas através da minha experiência com ela. Cada tarólogo tem suas próprias impressões sobre as cartas, e, na minha opinião, observar outros pontos de vista ampliam nosso horizonte de percepção.

Boas leituras a todos.


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Observando a lâmina de 3 de Ouros do Waite tarot

Ao meu ver, parece que temos um artesão, um religioso e um nobre, reunidos dentro de uma igreja, possivelmente. Parece que o nobre, a figura vestida de laranja, mostra o projeto de algo que ele encomendou ao artesão, a figura com a maça, sobre um banco, e o padre parece ser o beneficiário da obra, ou melhor, ele é o representante do beneficiário, que seria a igreja. 


Era comum, no final da idade média, e no renascimento, nobres e religiosos financiarem grandes artistas para obras em seus palácios e igrejas. Temos como grande exemplo a construção da basílica de São Pedro financiada pelo papa Julio II, e elaborada por Bramante, Michelangelo e Rafael, os maiores artistas da época. 

Observe o quadro de Emile Jean-Horace Vernet e compare com a carta do 3 de Ouros, notem as semelhanças.

Bramante e Michelangelo eram rivais, e disputavam quem pintaria o teto da capela sistina, mas já sabemos que venceu a disputa. Mas Bramante foi o arquiteto da catedral de São Pedro, ou seja, mesmo que existisse a rivalidade, houve um acordo, ou melhor, um juiz, o Papa Julio II, o patrão de ambos, que ordenou os gênios, permitindo que o projeto saísse do papel.

O que me parece é que o núcleo simbólico dessa lâmina é a transação comercial, a convergência de interesses que torna possível a obra, independente de sentimentos. É a oposição do 2 de Ouros sendo superada e utilizada de forma prática, criando o 3. É a interação de opostos por algo maior. É a essência do relacionamento, seja de que tipo for, mesmo o romântico, afinal nenhuma relação sobrevive se apenas uma parte se relaciona, é preciso haver interação das duas partes.

Exemplo de aplicação em leituras

A alguns anos uma consulente me questionou sobre uma pessoa de seu interesse, e se esta corresponderia a ela. A carta que saiu foi o 3 de Ouros invertido. Antes de dizer que não, queria estudar melhor a resposta, fiz leituras paralelas a respeito e então compreendi o que o tarot estava dizendo naquela carta. O homem em questão não estava interessado em relacionamento, de qualquer tipo. Ele agia de maneira prática e superficial com as pessoas ao seu redor, seguindo apenas interesses imediatos. O sujeito não tinha um amigo sequer, mas tinha muitos colegas e para ele é o que importava. Ele até tinha um interesse romântico na consulente, mas estava disposto apenas a levá-la para cama, não querendo se envolver além disso. Esse foi um exemplo do 3 de Ouros num viés negativo. Porém, tem outro caso, em que ele foi positivo, sobre uma questão de sociedade comercial, em que esta carta saiu. Depois de um tempo soube que o consulente estabeleceu um comércio rentável com outra pessoa, e, apesar das discordâncias, o negócio vai muito bem.

Quero deixar claro também que esta é a minha opinião e não representa que o 3 de Ouros, do Waite tarot, seja isso que eu escrevi. Essas foram apenas as minhas percepções sobre a carta, obtidas através da minha experiência com ela. Cada tarólogo tem suas próprias impressões sobre as cartas, e, na minha opinião, observar outros pontos de vista ampliam nosso horizonte de percepção.

Boas leituras a todos.


Observando a lâmina de 7 de Ouros do Waite tarot.

·         Um homem observa uma plantação. Não se sabe exatamente quais são os seus pensamentos, mas ele não parece alegre, ou contente, dá-me a impressão de preocupação, ou até de contemplação.

 As emoções  do homem parecem um enigma, tal como o quadro da Monalisa. A sua postura corporal também não deixa mais fácil a resposta. O homem parece intrigado, pensativo, contemplativo. Ele pode estar admirando os frutos do próprio trabalho como também  preocupado com um esforço extra que terá que fazer por conta de uma colheita acima da média. Ele pode estar pensando também em ambas as possibilidades. É como se ganhássemos na loteria, o que fazer com o dinheiro? Gastar tudo? Guardar tudo? Guardar um pouco? Aonde guardar? etc. Não é a toa que muitos ganhadores da loteria perdem tudo o que ganharam em pouco tempo;  por não saber o que fazer com tanto dinheiro, acabam se perdendo em ilusões de consumo extravagantes.

·         A plantação está exuberante, parece ter sido uma boa safra.
            Analisando o contexto da gravura, podemos entender que os criadores do baralho quiseram passar um ambiente medieval, e, por isso, não se sabia se teria ou não uma boa colheita com antecedência, geralmente rezando para a colheita simplesmente acontecer, por conta da pouca informação técnica que tinham à época. Uma colheita comum já seria motivo de festa, e uma colheita exuberante, muito mais. Aqui poderíamos dizer que a sorte sorriu para os donos da colheita.

·         O homem, que possivelmente é um lavrador, esta apoiado em sua enxada, que deve ser um dos seus instrumentos de trabalho.
O homem pode ser o dono da terra ou um servo daquele, e cada um deles teria uma visão diferente da boa colheita. O dono estaria contemplando suas posses, o servo preocupado com o trabalho extra, ou até mesmo invejoso da colheita do seu patrão.

·         A terra é de uma tonalidade laranja escura, variando para o amarelo, ao longe. O traje do homem é de uma tonalidade laranja escura, parecida com a da terra aos seus pés. A vestimenta que cobre suas pernas e braços é de uma azul parecido com o do céu ao redor.
O lavrador parece ser um com seu ambiente, um nativo de sua região. Ele é a terra e o céu, ambientes que se combinam para criar o fruto da terra. Estas vestes, creio eu, indicam a fertilidade, o ambiente propício  para o nascimento da colheita.

·         Temos 7 frutos maduros pendendo da plantação.

A maturação é um processo que leva tempo. O que pode criar uma outra opção interpretativa desta carta, que é a espera, a paciência e a recompensa por ela. "Tudo para aqueles que sabem esperar."

Exemplo de aplicação em leituras:



Um exemplo recente que obtive em uma leitura, com o tarot Waite, é o desta carta ao lado do Mago invertido. Eu interpretei como uma pessoa que recebeu “a sorte grande” mas não soube lidar bem com ela, não soube administrar, apreciar, resultando num 5 de Espadas, que entendi como uma perda, ou desperdício, dentro do contexto da leitura. Se somarmos os números das cartas desta leitura (7 + 1+ 5), obteremos o número 13, que é o número da carta da Morte, o que condensa bem a leitura como uma perda dolorosa. Depois que expus meu resultado para o consulente, ele me explicou que havia tido grandes oportunidades no passado, era mais jovem, mais belo, tinha um bom rendimento, e havia encontrado o amor de sua vida, porém, ele, com medo de se relacionar, preferiu as festas, o sexo fácil e as drogas. Com isso, toda a “sorte” que ele teve se esvaiu; tornou-se dependente químico, envelheceu rapidamente por conta dos abusos, adquiriu doenças venéreas, e o que mais ele lamentava era ter afastado a pessoa que ele amou. Uma história triste, que não é muito diferente das histórias dos jovens ganhadores da loteria, que perdem tudo e mais um pouco rapidamente.

Porém, esta história não torna esta carta negativa, mas sim uma carta de aviso. Ela nos mostra que a vida nos dá oportunidades, as vezes únicas, e que temos que estar bastante centrados para não desperdiçarmos. Neste caso específico, além de indicar uma oportunidade única, também indicava falta de maturidade para lidar com ela.

Creio também que o valor simbólico desta carta foi adotado por muitos outros baralhos por aí, variando pouco em sua maioria.

Quero deixar claro também que esta é a minha opinião e não representa que o 7 de Ouros, do Waite tarot, seja isso que eu escrevi. Essas foram apenas as minhas percepções sobre a carta, obtidas através da minha experiência com ela. Cada tarólogo tem suas próprias impressões sobre as cartas, e, na minha opinião, observar outros pontos de vista ampliam nosso horizonte de percepção.

Boas leituras a todos.



quarta-feira, 10 de junho de 2015

9 DE ESPADAS

https://katiejoycrawford.wordpress.com
“Não existe testemunha mais terrível - acusador mais poderoso - do que a consciência que habita em nós.” 
Sófocles

Para começar a ilustrar esse arcano, gostaria de contar uma história que ficou famosa na internet a alguns meses, que falava do arrependimento de um homem (Louis) que praticou bullyng na escola com seu colega (Chad), quando estudavam na mesma escola, e seu posterior pedido de desculpas 20 anos depois. Louis, o agressor, ao ser questionado pela sua filha pequena se já havia feito bullying no colégio,  afirmara que sim, arrependido. Para dar o bom exemplo à sua filha e curar uma ferida no seu coração, Louis pediu desculpas formalmente através do facebook para Chad. Eis a mensagem, traduzida livremente:

“Oi Chad,
Eu estive recentemente conversando com a minha filha de 10 anos sobre bullies. Ela me perguntou se eu já fiz bullying com alguém, e infelizmente eu tive que dizer sim. O que veio na minha mente é o quanto eu fui um bosta e maldoso com você quando estávamos no colegial. Eu quero me desculpar. Se moramos ainda no mesmo estado eu gostaria de me desculpar na sua frente. Eu nem sei se você lembra, mas eu lembro, e sinto muito.”

As pessoas não costumam ver algo de positivo nesta carta, o que é bastante explicável, pois as imagens que ilustram este arcano ao longo de todo espectro de baralhos de tarot são realmente “pesadas”. Mas isso não quer dizer que não exista um lado positivo. É um lado bem sutil e belo, que geralmente está escondido por trás da obscuridade das imagem representativas. Esta carta fala da consciência, de nossa auto regulação. Se fizermos algo que achamos ser errado, lá estará a consciência, começando a falar baixinho, e depois gritando nas nossas orelhas que fizemos algo errado. É essa consciência que separa as pessoas comuns dos psicopatas, por exemplo. Ela é nosso freio moral.

Porém este arcano também tem seu lado “mais pesado”, que é o seu lado mais conhecido pelos tarólogos. A materialização da culpa ou do medo paralisante de se encarar um fato dolorido, como por exemplo, o medo de ter sido responsável pelo sofrimento alheio,  como no fato que abre este artigo. A dor de quem vive a culpa é maior do que da vítima do ato, em muitos casos.
Nosso lado moral nos cobra o tempo inteiro se transgredimos alguma regra interna nossa. Porém, muitas vezes podemos ser cruéis conosco, nos cobrando demais ou nos menosprezando. É muito acertado quando dizem que nós podemos ser nossos piores inimigos, pois nessa carta também está a autocrítica (construtiva ou destrutiva).

Mesmo que tentemos nos esquivar da cobrança da consciência, ela retorna, ainda mais intensa, como fantasmas ruidosos.

Estes dois vídeos abaixo mostram, de forma leve e engraçada, os dois lados da nossa consciência, principalmente o que vemos nas cartas de 9 de espadas. 





sábado, 30 de maio de 2015

Pajem de Copas

https://www.facebook.com/Sakimichanart



O valete de copas geralmente representa uma pessoa (adolescente ou com cabeça de) sonhadora, romântica, que tem uma tendência à timidez, além da abundância de sentimentos que leva em seu peito.

Sensível ele percebe as sutilezas nos comportamentos alheios, principalmente de quem ama. Busca acalentar os outros e é um bom ouvinte. Não tem o costume de falar muito, mas sim de demonstrar seus sentimentos através de gestos, olhares, carinhos e também da melodia da música. Sua fisionomia geralmente tem a aparência de uma pessoa frágil, suave ou choramingas, além de ser especialmente bonito(a), como uma delicada obra de arte. 

Na via negativa acabam sendo muito passivos, esperando que as coisas aconteçam sem que empenhem qualquer tipo de energia nos seus objetivos. Podem também ser manipuladores e dependentes de atenção. O pajem de copas, por ter uma tendência escapista, pode acabar se refugiando nas fantasias (ou drogas) para evitar um confronto com uma realidade dolorosa. A intensidade de seus sentimentos podem gerar confusões nesse pajem. 

Podem ser muito influenciados por crendices e religiões, além de supersticiosos. 


O vídeo abaixo mostra como é o mundo mágico do pajem de copas, principalmente quando se apaixona. 




segunda-feira, 25 de maio de 2015

10 de Paus



Wesley era um rapaz esforçado, trabalhava das 8hs ás 18hs, de segunda a sexta, fazia faculdade, academia, se desdobrava para estar com a namorada e ainda arranjava tempo para sair com os amigos, nas famosas baladas. Para Wesley o dia tinha que ter umas 30 horas, no mínimo. Mesmo com o tempo espremido, ele conseguia dar conta de tudo, mas não ser ficar esgotado, e para conseguir disposição, Wesley começou a tomar energéticos rotineiramente, além de muito café, dessa forma conseguia se manter no ritmo de suas tarefas.

Um dia, o trabalho foi mais puxado, e ele esqueceu-se de almoçar, saciando-se com muito café e energético. Conseguiu tomar um lanche quando saiu do trabalho, correndo para a faculdade. E continuou sua rotina diária. No sábado haveria uma balada na beira da praia, uma oportunidade perfeita para Wesley mostrar seu corpo perfeito, conquistado á base de muitas horas de academia, muitos suplementos e força de vontade. A festa foi ótima, porém Wesley quase não aproveitou, estava cansado e sonolento. Foi quando um “amigo” veio com uma solução ideal, cocaína. Só assim Wesley conseguiu “curtir” a festa. E a semana foi seguindo.

Wesley trocou os energéticos e a cafeína por cocaína. Ele conseguiu manter seu ritmo muito bem durante alguns meses, porém, foi emagrecendo, e sentindo-se fraco. Ficou assustado quando viu seu corpo perfeito ficar mais delgado. Os músculos que ele demorou tanto para cultivar estavam murchando aos poucos. Para compensar aumentou a quantidade de suplementos e de horas na academia, o que fez ele aumentar também a quantidade de cocaína ingerida para dar conta do novo ritmo. Porém, ele continuou emagrecendo e sentindo-se fraco.

Wesley tornou-se muito irritadiço, brigava com a namorada, pois essa demandava certa atenção, que Wesley não podia (queria) suprir. Ele dava mais atenção ao trabalho e às festas. Cansado do relacionamento, começou a sair com outras pessoas, tornado-se promíscuo. No sexo, começou a perceber que estava ficando impotente, mesmo sendo jovem. Isso o deixou assustado e inseguro, então começou a beber muito, alternando com o uso da cocaína.

Wesley começou a faltar no trabalho, e quando ia, parecia-se com um zumbi; sua saúde estava deteriorada, assim como seu relacionamento.


Wesley agora se encontrava numa situação muito complicada. Ele conquistou tudo o que queria, mas a um preço muito caro, e ao mesmo tempo estava prestes a perder tudo isso. É essa situação que descreve o arcano de 10 de Paus, a conquista de um objetivo a qualquer preço, cujo custo supera em muito os benefícios. É o peso da conquista, querer carregar mais do que consegue, por achar que pode. “Eu aguento” costumam dizer, antes de se quebrarem. É muito comum ver pessoas como Wesley por aí, tentando fazer tudo ao mesmo tempo, e mais cedo ou mais tarde acabam falhando, seja por que não conseguem manter o ritmo ou por que deixaram para trás assuntos importantes, como a saúde, relacionamentos e oportunidades.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

9 DE PAUS


Imaginem que um grande e poderoso exército tomou sua cidade, o que você, sozinho, poderia fazer? A não ser que você seja o super homem, encontrar abrigo longe dos olhos inimigos seria uma decisão prudente e, posteriormente, poderia traçar uma estratégia para combatê-lo ou esperar eles irem embora, se for o caso. É dessa maneira que enxergo a carta de 9 de paus, de uma maneia geral. É a carta do abrigo seguro, a batcaverna do Tarot (até o Batman precisa de uma base secreta para poder lutar contra os vilões). Seria no 9 de paus que o Eremita se esconde? Quem sabe?! Fica um exercício de imaginação!

Quando essa carta aparece nas leituras geralmente mostra uma situação em que o(a) consulente não tem poder suficiente para reverter sozinho naquele momento, que, apesar de seus esforços (que provavelmente foram muitos), ele(a) precisa se retirar da batalha, primeiramente para descansar e curar as feridas, e posteriormente observar o andamento da situação, de longe.

Dependendo da situação, baralho e posição da carta na disposição da leitura, ela pode aconselhar para que o(a) consulente se abrigue, enquanto a situação se resolva sozinha, como que “esperando a chuva passar”. Em outras posições indica o recuo estratégico para um posterior avanço. A carta posterior a esta pode revelar se um novo avanço se faz necessário ou não.


Em uma posição de bloqueio, no uso de cartas invertidas, casa que representa dificuldades ou pelas outras cartas que a acompanham, ela pode demonstrar alguém com receio de agir ou se expressar, alguém que se esconde das próprias vontades, que evita tomar uma decisão para não se expor. Essa posição sai muito frequentemente nas leituras que eu fazia para os meus clientes em questões de sexualidade, quando o(a) consulente tinha medo de seguir seus desejos; é o famoso medo de sair do armário; mas, no geral, é a dificuldade em tomar uma posição, em expressar desejos e opiniões, mantendo-se na “retranca”.


No tarot de Rider Waite, que serviu de inspiração para diversos outros baralhos, a carta de 9 de paus me remete a ideia de uma pessoa machucada, acredito que por causa de uma batalha, e que decidiu se proteger criando uma cerca, que pode ser muito bem entendida como uma trincheira, uma posição de defesa. Aqui, o homem da figura me parece estar vigilante, talvez até um pouco temeroso, com a sua arma na mão, para o caso do inimigo invadir.

As palavras chaves que uso para essa carta são vigilância, paciência, recuo e cautela.
  
Seria interessante meditar sobre essa carta para entendermos o que na nossa vida está nos desgastando, sobre o que estamos nos esforçando inutilmente ao invés de deixar que a situação se resolva. Essa carta não fala sobre ações que não dão resultado, mas que o resultado exige um pouco de paciência e vigilância para acontecer; que toda ação possível já foi tomada.

Como é uma carta do naipe de paus, a questão temporal é geralmente mais rápida do que os naipes de ouros e copas, portanto, o que tiver que acontecer, acontecerá, apenas sente-se e observe, tenha um pouco mais de paciência.





quarta-feira, 11 de março de 2015

8 DE PAUS



     Em grande parte das representações da carta do 8 de paus, no tarot, se veem paus enfileirados e ordenados, o que me trouxe certa dificuldade no começo dos meus estudos, pois eu simplesmente não entendia o que significava a imagem. A maioria das outras cartas tinham desenhos mais intuitivos de uma figura humana fazendo algo, o que tornava mais fácil perceber o consulente dentro de uma situação. Mas aquele 8 de paus era difícil de entender. Será que as pessoas que adaptaram o tarot de Marselha se perderam nessa carta? Ou havia um significado oculto por lá que eu não enxergava?

Depois de diversos estudos e práticas com as cartas eu consegui enxergar um padrão para o 8 de paus, que sempre anunciava uma ação direcionada, um esforço coordenado para que algo fosse expresso. Mas mesmo assim ainda era um tanto vago para eu entender, até que comecei a registrar os significados que essa carta mostrava nas leituras; comunicação oral ou escrita, esforço conjunto e ação ordenada. Então finalmente compreendi que esta carta mostra o esforço coordenado, é o elemento fogo sendo moldado para se alcançar algo, como, por exemplo, escrever as frustrações num diário pessoal ao invés de quebrar tudo ao redor.

Esta ordenação da vontade e da ação abrange um amplo número de atividades, que podem ser desde três pessoas ajudando a empurrar um carro até a escrita de um livro. Eu particularmente gosto do exemplo da orquestra, pois lá é possível perceber diversas pessoas coordenadas para fazerem música, e, além disso, acho interessante que a maioria dos instrumentos e do palco sejam feitos de madeira (paus)!


Quero deixar uma música que aprecio sendo tocada em uma orquestra, para solidificar meu exemplo. Espero que apreciem!




sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A Sorte favorece os audazes (5 de Paus)

Thor luta contra Jormungand (L'univers des dragons, galerie Daniel Maghen, 2008)

Nesta carta de 5 de paus mostra-se uma arquetípica batalha interna de todos nós contras os demônios interiores. No tarot mitológico Jasão luta conta o dragão que guarda o Velocino de Ouro, o grande prêmio. Mas temos outros exemplos na ficção, como Thor que luta contra a monstruosa serpente Jormungand ou, mais modernamente Frodo contra o dragão Smaug. Temos também o mito católico de São Jorge que luta contra um feroz dragão. Diferente da carta da Força, onde prevalece a calma e a paciência para domar uma fera, o 5 de Paus fala de um embate inevitável entre a imaginação e a realidade. Em literalmente enfrentarmos nossos maiores medos para conseguirmos aquilo que tanto queremos. Jasão luta contra o Dragão para reconquistar seu reino usurpado, Thor luta pela glória e para evitar a destruição de seu mundo, Frodo e seus companheiros lutam pela libertação de um reino (incluindo suas riquezas), assim como São Jorge. E assim também foi no início das grandes navegações quando se achavam que a Terra era quadrada e monstros terríveis povoavam o oceano atlântico.

Jasão e Medeia contra o Dragão na carta 5 de Paus do Tarot Mitológico.


Esses monstros gigantes geralmente estão sempre no mesmo lugar, parados, dormindo sobre algum tesouro. Eles são o próprio símbolo da inércia e do medo que nos paralisa de ir para frente e conquistar grandes prêmios pela vida, seja um novo emprego ou um grande amor. Nesta carta específica do tarot mitológico vemos Jasão sendo auxiliado pela feiticeira Medeia, que é alguém que nos ajuda a iluminar e ver o monstro que se esconde em nosso inconsciente. Medeia pode ser um(a) amigo(a), um parente, um(a) terapeuta, um(a) mentor(a), um(a) autor(a) de um livro ou mesmo a nossa própria consciência desperta.

5 de Paus no tarot de Rider-Waite


Em muitas outras cartas de tarot o 5 de Paus é representado como 5 pessoas lutando entre si. Nesta situação o embate está sendo mostrado exteriormente à pessoa, com a carta dizendo a não dar tanta importância para o que as pessoas dizem e pensam, e seguir em frente com seu projeto. Muitos querem se colocar no caminho de sua realização, mas é a pessoa quem consente em deixar-se levar pelas opiniões alheias ou seguir em frente.


A mensagem desta carta portanto é a de agir, mesmo com medo. As recompensas são enormes para quem ousa desafiar a si mesmo.